currículo artístico

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Currículo Artístico

 Claudia Sampaio

Artista Visual

1967

Fortaleza, CE | Brasil

www.claudia-sampaio.blogspot.com

claudiasampaio15@hotmail.com

http://claudiasampaiobrazil.multiply.com

Individuais:

1990 – Centro de Humanidades UECE. Fortaleza – CE.

1991 – Centre de Création Littéraire – Grenoble, França

2001 – INFOSOL – Centro de Convenções. Fortaleza, CE

2001 – Projeto Quarta com Música – Teatro Dragão do

Mar. Fortaleza, CE

2006/07-Artista invasor. Museu de Arte

Contemporânea do Ceará

2009 – + um dia… Centro Cultural Banco do Nordeste.

Coletivas:

1990- Homenagem ao centenário de Van Gogh. Fortaleza – CE.

Agência Jangada – CEF. Iguatemi. Fortaleza, CE.

100 anos de Paz e Amor à Natureza – Encetur.

Guaramiranga – CE.

Ponta Mar Hotel – Grupo de Resistência Asa Branca.

XI Unifor Plástica. Fortaleza, CE.

1994 -Teatro Amazonas – Grupo de Artes Brilho da

Terra. Manaus – AM.

Espaço Cultural Barroso 110. Manaus, AM.

Criação do Troféu da 10.000 Madeira INPA – Instituto

INPA – Instituto Nacional de Pesquisas Amazônica.

1995- Centro de Artes Chaminé. Manaus, AM.

Sala Cláudio Santoro – Grupo Brilho da Terra.

Manaus, AM.

1996 -Galeria Portinari. Manaus, AM

1999- CEFET – Grupo Bila de Artes Plásticas, Fortaleza – Espaço Cultural do CEFET – CE – Lançamento do

Álbum de Serigrafias Grupo Bila de Artes

do CEFET. Fortaleza, CE.

Semana da Arte de Domínio Público. Fortaleza, CE

2000 – 51º Salão de Abril. Fortaleza, CE – PRÊMIO

Salão Norman Rockell. Fortaleza, CE.

Nós – Associação Galpão de Arte – Fortaleza, CE

Associação Galpão de Arte).

Galeria da ASSEFAZ. Grupo Arte Livre.Fortaleza

2001- 52º Salão de Abril. Fortaleza, CE.

Galeria Oboé. Fortaleza, CE

2002- Museu de Contemporânea do Ceará – AINDA

GRAVURA

BASE – Curta Eletro – Eletrônicos.

Salão de Arte Contemporânea de Sobral. Sobral

4º Salão de Artes Plásticas da base Aérea de

Fortaleza. Fortaleza, CE.

Interferência Urbana – Artistas: Claudia Sampaio,

Brunno Galvão, Bia

Cordovil, Jared Domicio, Ticiano Monteiro e

Transição Listrada. Prédio

desativado da ENCOL – Rua Oliveira Viana –

Fortaleza, CE.

2003 – 1º Festival Vida & Arte (Convidada).

Criação do Troféu da INFOBRASIL.

2004 – 55º Salão de Abril . Fortaleza,CE.

Museu de Arte Contemporânea do Ceará.

2005 – Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e

Produção .Fortaleza,CE

Experimental. Museu de Arte Contemporânea do Ceará

2006 – Centro Cultural Banco do Nordeste – Projeto

Percurso . Visita ao Ateliê

( casa Intervenção)

57º Salão de Abril . Fortaleza,CE. PRÊMIO

2007 – Ontologia do Feminino. Centro Cultural

Banco do Nordeste

IVª Oficina de Arte da Provence – Langsamkeit

II .St Dézéry. França

Ponte Cultura Alemã. Empreintes. Blausac. França

2008 – Pulsão Irrefreável. Sesc/Senac – Iracema

59º Salão de Abril. Fortaleza-CE

Ponte Cultura Alemã. Wasser .Nuremberg.

2010- Ponte Cultura Alemã. Museu de Arte Contemporânea

do Ceará

2007 – Integrante da comissão do edital de Artes Visuais da Fundação de Cultura e Esportes de Fortaleza – FUNCET

2009 – Curadora do 60º Salão de Abril

2005 – 2010 – Curadora da Mostra Universidart ( FIC)

Apresentações de Trabalho

Projeto Fala do Artista. Museu de Arte Contemporânea do Ceará ( palestra)

Chá Com Porradas. Museu de Arte Contemporânea do Ceará. (palestra)

Quarta – Literária. Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar. ( palestra)

Arte em Crivo. Museu de Arte Contemporânea do Ceará. ( palestra)

Faculdade Integrada do Ceará- FIC. Abertura do Curso de Design( palestra)

Textos:

1. Projeto Artista Invasor

Cláudia Sampaio

26/10/2006 a 07/01/2007

Confessionário

A artista cearense Cláudia Sampaio desenvolve sua trajetória artística alicerçada em “recortes confessionais” e “fluxos do eu”, que vão se apresentando através da construção de uma sintaxe repleta de intensidade e revelada por uma semântica que se localiza na inter-relação entre Vida X Arte. A construção de sua poética transita entre linguagens, seja de caráter verbal ou não a artista encontra na palavra signos possíveis para expressar o “SENTIR” ou “SER”, que se legitima através de uma escritura confessional elaborada nas paredes de sua casa-atelier.

A Obra “Confissões” teve início em 2004 quando a artista inicia a escrita de seu “diário intimo “ nas paredes da sua casa, são impressões, sentimentos, poesia, tudo isso numa crescente mutação, pois o suporte da sua obra recebe acréscimos cotidianos, relatos que vão dando forma mutante ao corpo da obra.

Quando observamos as questões relacionadas ao CORPO de imediato nos deparamos com mecanismos presentes na performance, body-art. Já o CORPO na obra de Cláudia Sampaio revela-se de uma forma metafórica, ou seja, projetado nas paredes de sua “casa-corpo” e condensado em manifestações também localizadas nos atos performáticos já em limites com a poesia ou na construção de uma literatura particular. Sua escritura habita não só o seu território como indivíduo, mas dilata-se em matérias e epidermes da sua casa.

São nessas construções lingüísticas que seu trabalho abre diálogos e recria uma narrativa semelhante à escrita desenvolvida na Arte Rupestre – representações gravadas nas paredes das cavernas – só que agora conjugadas por uma grafia contemporânea, que se adensa e se impõe dentro da Bienal da Gravura.

O Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura recebe através do projeto Artista Invasor a poética da Artista Cláudia Sampaio, que recria em uma das galerias a instalação CONFISSÕES, trazendo para dentro do cubo branco recortes das suas experimentações. A instalação, assim como, na sua casa-atelier estará em contínua metamorfose e construção, revelando-se a cada interferência um novo trabalho, um novo acréscimo, uma nova leitura de uma sintaxe de vida.

Bitu Cassundé

2. CONFISSÕES DE UMA MULHER ARTISTA

NAS ENTRELINHAS DE CADA CANTO DA CASA

Ana Valeska Maia

27 de maio de 2004. A data se refere ao dia em que a artista Cláudia Sampaio iniciou o processo de transformar sua casa em um poema vivo . Nas entrelinhas de cada canto da casa reverberam os silêncios, os devaneios íntimos das pulsões refreadas, os gritos e sussurros dos desejos frustrados, dos amores desfeitos, da crueza da solidão.

A casa fala. As palavras brotam do abrigo num processo catártico. Arrancadas das profundezas da alma humana, exibem a essência dos desencontros da co-existência. Em “Confissões” a artista interfere nos espaços de sua casa: escreve nas paredes, agrega materiais, anota resquícios de vivências. Os estímulos dão vida ao abrigo: No processo criativo, Cláudia sente a música, se emociona. Inclui nomes, afetos, desenha, rabisca poemas. Nas paredes as significâncias engendradas se entrelaçam numa poética que advém da imensidão da esfera privada, palco dos encontros com o próprio Eu, receptáculo de decepções e alegrias do viver coletivo.

Cláudia é uma mulher corajosa. Não tem medo de se expor. A casa, que simboliza abrigo, refúgio ou proteção recebe da artista uma autorização para se despir de todas as muralhas, de todas as máscaras e finalmente se entregar. A gradação infinita da manifestação criativa da artista reflete uma pulsão de vida, percorre as dicotomias entre interior e exterior, público e privado, dor e prazer, verdade e ficção.

Vou criar o que me aconteceu. Só porque viver não é relatável. Viver não é vivível. Terei que criar sobre a vida. E sem mentir. Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade. Entender é uma criação, meu único modo. Precisarei com esforço traduzir sinais de telégrafo – traduzir o desconhecido para uma língua que desconheço, e sem sequer entender para que valem os sinais. Falarei nessa linguagem sonâmbula que se eu estivesse acordada não seria linguagem (LISPECTOR, 1988: 21).

A linguagem de Cláudia criou um outro ser a partir de seu próprio ser. Gaston Bachelard em sua inigualável poética do espaço, enuncia: todo espaço realmente habitado traz a essência da noção da casa (BACHERLARD, 2003:25). O trabalho de Cláudia Sampaio representa um construto ao mesmo tempo muito apurado e muito simbólico. É possível ouvir as paredes. O lar da artista pulsa, clama, instiga.

(…) veremos a imaginação construir “paredes” com sombras impalpáveis, reconfortar-se com ilusões de proteção – ou, inversamente, tremer atrás de grossos muros, duvidar das mais sólidas muralhas. Em suma, na mais interminável das dialéticas, o ser abrigado sensibiliza os limites do seu abrigo. Vive a casa em sua realidade e em sua virtualidade, através do pensamento e dos sonhos (BACHELARD, 2003: 24).

Mais um dia. Frase recorrente que a casa registrou. Está por todos os lados. Reflexos dos momentos de inércia da vida, das angústias dos dias, do conhecidíssimo desejo de ser única para alguém, da tentação de viver um amor tão total, tão absoluto, quanto irrespirável. Sentimentos habitados que tornam a casa corpórea, pulsante. O imóvel adquire vida, é um organismo. Sangra, sofre as dores dos rompimentos, das decepções. A artista então medica as paredes, aplica curativos para ter forças e enfrentar mais um dia. As unhas arrancam superfícies. Das paredes brotam flores, cruzes, preces, lembranças, poemas.

Como no personagem G. H. de Clarisse Lispector, as confissões desta mulher artista possibilitam que encontremos nas entrelinhas de cada canto da casa uma amplitude de vida, uma inesgotabilidade de sentido que vai muito além da própria sensibilidade. As “Confissões” de Cláudia Sampaio refletem a urgência do desejo da linguagem, um anseio propriamente abissal, quase sacrifical, do encontro com o Outro e com a arte.

Novembro de 2006.

Referências:

LISPECTOR, Clarisse. A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. Tradução de Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1993.